SNAP!

outubro 22, 2007

 

(snap é um barbarismo. porque ele só faz sentido como onomatopéia quando o falamos com sotaque gringo. por isso, snép! com “e” aberto na pronúncia. porém, se pensarmos bem, nem precisamos pronunciar desse jeito, pois, pronunciando como se a palavra fosse portuguesa, ela não perde tanto assim o sentido. elásticos estouram e fazem snap! com “a” aberto. não fazem? fazem. e, se prestarmos atenção, perceberemos que eles fazem muito outros sons. zóing, tzén, plá! então, é papo sem nexo este que acabei de começar e, por isso, logo começo a terminar.) 

:

ah, essa coisa absurda de sentir tudo como se fosse estalar a qualquer momento, como se estivesse tudo num elástico bambo prestes a estourar. e eu fico vivendo como se estivesse quase estourando, mas eu não sei se vai estourar agora, não sei se vai estourar amanhã, na verdade, eu não faço a menor idéia de quando vai estourar. eu não sei, que seja dito, porque ninguém sabe, e que isso seja dito, e bem dito, pois ninguém sabe quando esse elástico vai estourar. pode ser agora. pode ser daqui um milhão de anos. pode ser que o universo esteja para colapsar num breve momento e temos todos esses cientistas aí que nos dizem o contrário. eles têm certeza que não vai estourar agora, então podemos todos nos tranquilizar, continuarmos cuidando de nossas vidinhas, continuarmos a cuidar das vidas dos outros.

está tudo tranquilo, o elástico não vai estourar agora.

e, segundo os especialistas, não estourará nos próximos milhões e milhões e milhões de anos, seja lá o que isso queira dizer exatamente. porque essas coisas de milhões e milhões e milhões de anos eu não consigo entender, e duvido muito que haja alguém que entenda. a gente pode sempre fingir que entende, o que é o normal, é o senso comum, fingir que entende, a gente pode, mas fingir não é a mesma coisa que realmente entender. muito óbvio, não?

sim, muito óbvio.

e eu não entendo esse monte de anos, porque ele é uma quantidade divina, é um número que só um deus entende. eu, que sou mortal, e que já muito me embaralho com os poucos anos da minha vida, imagine-me com os milhões, milhões e milhões. é muita coisa. muito óbvio, não?

sim, óbvio.

(>>)

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